Por Alexandre Caetano
Lobão – Cuidado!(1988)
Sempre achei alguns discos experimentais mais interessantes do que uma obra acabada ensaiada à exaustão. Talvez este play de Lobão se enquadre neste propósito. Depois dos problemas com a lei por porte de drogas, sendo preso por alguns meses e a imprensa marrom querer fazê-lo um bode expiatório, mas dando a volta por cima com o clássico “Vida Bandida”(1987), um tremendo sucesso com shows lotados por todo país, o cantor lança “Cuidado!”, continuando sua fixação por misturar o seu rock com a música brasileira (em particular o samba) que ele vinha desenvolvendo desde o “O Rock Errou”(1985).O resultado dessa mistura é bem interessante como na faixa-título com participação da Estação Primeira de Mangueira e de Ivo Meirelles dividindo os vocais e no hit, a bela balada “Por Tudo que For”. Sua voz continua a urrar ferozmente como no rock “O Eleito” em que muitas pessoas do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto não ficaram nada satisfeitos. Mais críticas para hipocrisia em “É Tudo Pose”, flerte com a música clássica com os cellos da ótima ”Esfinge de Estilhaços”, a enigmática “Síndrome de Brega” chegando perto do hard rock, a participação de Edgar Scandurra na guitarra solo de “Pobre Deus”, na língua nativa do rock “No Money, No Change, No Chance” e a levada de “Tara Tara”. Neste trabalho, o melhor de tudo é que Lobão toca quase todos os instrumentos e retoma a bateria, que não executava desde os primórdios da Blitz e discos solos do ex-parceiro de Vímana Ritchie e da amiga Marina Lima. Apesar da crítica e do próprio Lobão desprezarem este play, não deixa de ter boas idéias...
Kiss – Love Gun (1977)
Os mascarados reinavam no hard rock americano nesse período (ao lado do Aerosmith) em sua fase de maior sucesso e mais inspirada, com apresentações que mudaram o conceito de espetáculos de rock,além de virar um grande negócio mercadológico (camisetas,bonecos,etc..).Após os platinados discos “Alive!”(1975),”Rock and Roll Over”(1976) e “Destroyer”(1976) veio ao mundo “Love Gun” que geraria outro ao vivo “Alive II”,encerrava esta época áurea do Kiss.Este play é o mais roqueiro,festivo e divertido deles,gerando clássicos como as cantadas por Gene Simmons “Christine Sixteen”e ”Plaster Caster”,a composição e interpretação de Ace Frehley para “Shock Me”(sempre uma atração nos shows) e a faixa-título com Paul Stanley liderando o vocal.Outras pauladas são dignas de nota como “I Stole Your Love” e a party total de “Tomorrow and Tonight” também cantadas por Paul,”Hooligan” na voz do homem-felino Peter Criss (depois do sucesso de “Beth” e “Hard Luck Woman” dos discos anteriores no lead vocal),vendendo amor em ”Got Love for Sale” na voz do morcegão Gene e a bela cover de “Then She Kissed Me” do conjunto feminino dos sixties The Crystals.Depois, conflitos internos geraram discos individuais de cada integrante com o nome da banda, álbuns inferiores como “Dysnaty”(1979) e “Unsmaked”(1980) que gerou a saída do baterista Peter Criss,depois substituído pelo ótimo Eric Carr (falecido em 1991),decretavam a decadência...ou uma revanche? 

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